sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Vozes da maioria silenciada....

Bom filme sobre o conflito....


http://www.idelberavelar.com/archives/2009/01/vozes_da_maioria_silenciada.php



Estou me retirando para me concentrar nos estudos, volto assim que possível...

sábado, 10 de janeiro de 2009

Do Haaretz....

Corneteiro, à contra-mão

Gideon Levy, Haaretz, Telavive, 8/1/2009, 15h http://www.haaretz. com/hasen/ pages/ShArt. jhtml?itemNo= 1053913

"Em resposta a uma pergunta do príncipe, que o consultava sobre como aumentar o poder de seu exército, para conquistar uma tribo do sul que resistia, Confucio respondeu:
"Destrói teu exército. Com o dinheiro que desperdiças hoje com o exército, ilustra teu povo e aprimora as artes da agricultura.
Assim a tribo do sul desertará do comando daquele príncipe e se submeterá ao teu comando, sem guerra."

[acréscimo meu, de "Patriotismo ou paz", Leo Tostoy, em http://salsa. net/peace/ conv/8weekconv7- 3.html]

Pode-se ir às fontes e citar Leo Tolstoy, por exemplo: "O patriotismo, na significação mais simples, mais clara e mais indubitável, nada é além de um meio para que os governantes obtenham o que ambicionam e alcancem seus desejos mais escusos; e para que os governados abdiquem da dignidade humana, da razão, da consciência e se auto-escravizem, sob o poder dos governantes. Os governantes sempre recomendam patriotismo aos governados. Patriotismo é escravidão."

E também: "Como se pode falar da racionalidade de homens que prometem qualquer coisa, inclusive matar, em assassinatos que os governos, isso é, alguns homens que chegam a algumas posições, comandarão?" Pode-se também recorrer a "o patriotismo é o último refúgio dos canalhas". Mas há outra via: posso admitir que também sou patriota.

Poderia citar um e-mail que recebi de Mahmut Mahmutoglu, da Turquia: "Você é uma das mais belas vozes que vejo ou ouço, de Israel ... Hoje, depois de ler sua coluna, cheguei ter esperanças de paz e a crer que a humanidade prevalecerá." Porque há também Robert, que escreve de Israel, e que comentou a mesma coluna com uma frase: "Não sou médico, mas esse cara é doente." Ou o leitor George Radnay, um, dentre centenas, que escreveu de New York: "Exílio interno à moda russa. Deve ser instituído em Israel. Você e outros inimigos da raça humana devem ser exilados em Sderot. Sem poder fugir! Pregar o ódio, de bolso cheio e em poltrona estofada e com passaporte! Você deve ser preso em nome da decência e da paz."

A vasta maioria quer banir qualquer tipo de crítica, toda e qualquer manifestação de pensamento alternativo, de todos os sentimentos heréticos, sobretudo no que tenham a ver com essa guerra, a qual já estou cansado de amaldiçoar.

Nessa guerra, em todas as guerras, um espírito do mal desce sobre os homens. Um colunista pressuposto iluminado descreve a horrenda coluna de fumaça que sobe de Gaza como "pintura espetacular" ; o ministro da Defesa diz que as centenas de funerais em Gaza são demonstração das "realizações" de Israel; uma manchete enorme, "Feridos em Gaza" refere-se só a soldados israelenses feridos e vergonhosamente ignora os milhares de feridos palestinenses, cujas feridas não podem ser medicadas nos superlotados hospitais de Gaza; comentaristas objeto de lavagem cerebral festejam o imaginário sucesso da incursão; soldados objeto de lavagem cerebral pulam de arma na mão, na orgia do próximo combate, para matar, matar, para destruir homens e mulheres em massa, e provavelmente, deus nos guarde, para destruir-se também, eles mesmos, chacinar famílias inteiras, mulheres e crianças; apavorantes imagens idênticas ao que se viu em Darfur, do hospital Shifa, mostra crianças agonizando pelo chão; e a resposta patriótica é urrar: "Hurrah! Bem-feito! Hurrah! Glória ao país que faz tudo isso, essa barbárie."

Chora, meu país amado; esse não é o meu patriotismo. Mas meu patriotismo, ainda assim, é supremo patriotismo.

De fato, a reação furiosa contra qualquer mínimo farrapo de crítica faz-me pensar que, talvez, alguns israelenses já saibam, no fundo de seus corações esterilizados, dessensibilizados, que algo terrível arde sob seus próprios pés, que uma vasta conflagração ameaça fazer explodir o grosso, denso, estupefaciente, paralisante, espesso, venenoso nevoeiro que os envolve.

Que talvez não sejamos tão certos, tão bons como nos repetem que seríamos, da manhã à noite, talvez algo de horrendo esteja acontecendo ante os nossos olhos arregaladamente fechados. Se os israelenses tivessem tanta certeza da correção de sua causa, não seriam tão violentamente intolerantes, contra tudo e todos que tentam defender outra causa, outro ponto de vista.

Esse é precisamente a hora para criticar; não há melhor hora do que essa. Essa é a hora das grandes perguntas, das perguntas radicais, das perguntas decisivas.

Não perguntemos apenas se esse ou aquele outro movimento da guerra é certo ou errado, nem nos preocupemos apenas com estarmos ou não avançando "conforme planejado". Temos também se a própria idéia de nos ter posto nessa guerra é boa para os judeus, se é boa para Israel, e se o outro lado merece a desgraça que Israel lançou sobre ele.

Sim, até nas guerras - e sobretudo nas guerras - é preciso pensar também no outro lado. Saber que "crianças do sul" não significa apenas as crianças de Sderot, mas também as crianças de Beit Hanun, cujo destino é imensuravelmente mais amargo.

Nos encolher de vergonha e de culpa, à vista do Hospital Shifa não é traição: é sinal de que somos humanos. É sinal de que Israel conserva sua humanidade básica. É imperioso preocupar-se com o destino daquelas crianças, perguntar se é inevitável aquele sofrimento, se é justo, moral, legítimo. Perguntar se as coisas poderiam ter sido feitas de outro modo. Perguntar se não teria sido mais certo tentar outra linguagem, que não fosse a linguagem da violência, da força, que Israel invoca, sempre, rotineiramente, como a única linguagem que somos capazes de usar, a única que somos competentes para articular, como se nem soubéssemos que há outras.

É hora de perguntar sobre a atitude moral de Israel. A hora é agora, é precisamente agora, nenhum momento seria mais adequado; lançar dúvidas sobre essa horrenda guerra, perguntar se é útil, não fechar os olhos para o sangue e a dor do outro lado da fronteira, lá, do outro lado, na outra metade da nossa mesma humanidade.

O nosso tempo não pode ser tempo só de militarismo, só de uniformes e das fanfarras da guerra. O nosso tempo também é tempo de humanidade, de visão crítica, de compaixão. É tempo para uma imprensa que pensa, que critica, imprensa para seres humanos, não só tempo de imprensa insensível, cega, bestial. É tempo para uma imprensa que busque a verdade, não só e sempre um mesmo lado de propaganda e mentiras. Nosso tempo é precisamente o tempo de informar a opinião pública sobre os dois lados, sobre os dois lados da fronteira, por terrível que seja mostrar o outro lado das fronteiras de Israel, sem mentir, sem encobrir, sem varrer o horror (nosso horror) para baixo do tapete. Que os leitores façam o que queiram com a informação; que festejem ou que chorem sobre ela; mas que saibam o que está sendo feito em seu nome. Hoje, esse é o único papel que se pode esperar de jornalistas que tenham olhos na cara, cérebro no crânio e que, sobretudo, tenham alguma espécie de coração no peito.

Gente que use todos os seus sentidos em tempos difíceis, não é gente menos patriótica do que os que fechem os olhos, obscureçam os sentidos, deixem que lhes lavem o cérebro. Quem mais for patriota hoje, em Israel, tem de dizer: "Basta!"

Patriotismo? Quem sabe aferir quem mais ajuda e quem mais desgraça o Estado de Israel hoje? E unir-se ao coro dos cegos, dos imbecis? Mais ajuda ou mais desgraça Israel hoje? Ou, talvez, a melhor e maior contribuição que se possa oferecer à democracia e à imagem do Estado de Israel, hoje, seja levantar as questões, propor as perguntas mais duras, mais difíceis, hoje, precisamente nesses tempos? Será hora para silenciar, e esfrangalhar ainda mais a frágil democracia israelense, ou será hora de tentar salvá-la, de defender não só o direito de calar e concordar, mas, hoje, também o direito de gritar, discordando? O punhado de israelenses que lutam para salvar Israel serão, talvez, menos bons israelenses? Serão talvez menos preocupados com o destino do país, do que a maioria, que hoje já nada vê, se não for pela mira dos canhões?

E desde quando alguma maioria seria garantia de justiça? Faltam exemplos na história de Israel? Na história moderna, na história antiga, na história universal ou na história de Israel, de casos em que a maioria esteve mortalmente errada, e a minoria, certa?

Será que uma voz diferente, baixa, ocultada que seja, mas que ainda assim emerge de dentro dessa Israel escura da "maioria", não poderá lançar alguma luz sobre Israel, mais para salvar Israel aos olhos da comunidade internacional, do que para ofender Israel? Um assovio na escuridão sempre é um assovio, um sinal de vida, quando a escuridão que desceu sobre Israel nada é, se comparada à escuridão que Israel fez descer sobre Gaza.

A hora é hoje, para perguntar as perguntas que - ninguém duvide - serão perguntadas depois, então, é claro, desgraçadamente tarde demais. E quem é o traidor? Quem decidiu em nosso nome que fazer essa guerra seria patriotismo, ou quem diga que fazer essa guerra é trair Israel? Só seriam patriotas os militares, os nacionalistas, os chovinistas que, sim, há em Israel? Só esses? Só eles? Terão alguma franquia proprietária, sobre o patriotismo? Ou, talvez, serão patriotas os judeus norte-americanos da extrema-direita? Aqueles que entram em delírio orgiástico cada vez que Israel põe-se a matar e destruir? Quem decide sobre patriotismo? Não será o caso de ver que o terrível dano que Israel está sofrendo, por causa dessa guerra, é, esse sim, a maior de todas as traições?

Já cobri outras guerras. No inverno de 1993, vi Sarajevo sitiada e vi lá o que nunca havia visto em Israel. Até que começou a guerra de Gaza. Nunca conseguirei esquecer uma velha, bósnia, escavando a terra com os dedos, à procura de alguma raiz para comer. Não esquecerei o pânico, nas ruas, para escapar dos tiros, a bomba que destruir o mercado, a música que vinha de um rádio velho, numa noite de nuvens pesadas, de dentro da escuridão, em plena cidade sitiada: "La ultima noche." A última noite. No verão passado cobri a guerra da Georgia, vi refugiados correndo, com seus miseráveis pertences, tentando encontrar algum abrigo, qualquer abrigo, os olhos duro, cheios de medo e de ódio. Naquelas duas guerras senti-me distante, afastado, dessensibilizado, como correspondente de guerra que vive de uma guerra, para a outra, para outra. Naquelas guerras, não éramos cúmplices, nem eu era cúmplice, nem meus filhos eram cúmplices, nem os amigos dos meus filhos eram cúmplices de um crime.

Então, foi fácil, para mim, emocionalmente e relativamente fácil, naquele caso, cobrir a guerra, escrever sobre ela. Hoje e aqui, não. Hoje e aqui se trava a minha guerra, nossa guerra, guerra pela qual todos os israelenses somos responsáveis, e pela qual todos somos culpados.

Indispensável, inadiável, para todos os israelenses fazer ouvir a nossa voz, uma voz diferente, "alucinatória" , talvez, para ouvidos dessensibilizados, insensíveis, voz que soa como "traição", de "ódio aos judeus". Uma voz diferente. Uma voz que diz "Não!" a essa guerra. É mais do que direito meu, direito nosso; é nosso absoluto dever em relação ao Estado ao qual estamos tão visceralmente ligados. Vai-se ver, somos nós, sou eu, o canalha patriota.

[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]

Por que nos odeiam tanto?!


"Por que nos odeiam tanto?!"
Que, pelo menos, ninguém minta que não sabe por quê.


Robert Fisk - 7/1/2009

The Independent, 7/1/2009

http://www.independent.co.uk/opinion/commentators/fisk/robert-fisk-why-do-they-hate-the-west-so-much-we-will-ask-1230046.html

Assim, mais uma vez, Israel abriu as portas do inferno sobre os palestinenses. 40 refugiados civis mortos numa escola da ONU, mais três noutra. Nada mau, para uma noite de trabalho do exército que acredita na "pureza das armas". Não pode ser surpresa para ninguém.

Esquecemos os 17.500 mortos – quase todos civis, a maioria mulheres e crianças – de quando Israel invadiu o Líbano, em 1982? E os 1.700 civis palestinos mortos no massacre de Sabra-Chatila? E o massacre, em 1996, em Qana, de 106 refugiados libaneses civis, mais da metade dos quais crianças, numa base da ONU? E o massacre dos refugiados de Marwahin, que receberam ordens de Israel para sair de suas casas, em 2006, e foram assassinados na rua pela tripulação de um helicóptero israelense? E os 1.000 mortos no mesmo bombardeio de 2006, na mesma invasão do Líbano, praticamente todos civis?

O que surpreende é que tantos líderes ocidentais, tantos presidentes e primeiros-ministros e, temo, tantos editores e jornalistas tenham acreditado na mesma velha mentira: que os israelenses algum dia tenham-se preocupado com poupar civis. "Israel toma todo o cuidado possível para evitar atingir civis", disse mais um embaixador de Israel, apenas horas antes do massacre de Gaza.

Todos os presidentes e primeiros-ministros que repetiram a mesma mentira, como pretexto para não impor o cessar-fogo, têm as mãos sujas do sangue da carnificina de ontem. Se George Bush tivesse tido coragem para exigir imediato cessar-fogo 48 horas antes, todos aqueles 40 civis, velhos, mulheres e crianças, estariam vivos.

O que aconteceu não foi apenas vergonhoso. O que aconteceu foi uma desgraça. "Atrocidade" é pouco, para descrever o que aconteceu. Falaríamos de "atrocidade" se o que Israel fez aos palestinenses tivesse sido feito pelo Hamás. Israel fez muito pior. Temos de falar de "crime de guerra", de matança, de assassinato em massa.

Depois de cobrir tantos assassinatos em massa, pelos exércitos do Oriente Médio – por sírios, iraqueanos, iranianos e israelenses – seria de supor que eu já estivesse calejado, que reagisse com cinismo. Mas Israel diz que está lutando em nosso nome, contra "o terror internacional". Israel diz que está lutando em Gaza por nós, pelos ideais ocidentais, pela nossa segurança, pelos nossos padrões ocidentais.

Então também somos criminosos, cúmplices da selvageria que desabou sobre Gaza.

Reportei as desculpas que o exército de Israel tem oferecido ao mundo, já várias vezes, depois de cada chacina. Dado que provavelmente serão requentadas nas próximas horas, adianto algumas delas: que os palestinenses mataram refugiados palestinenses; que os palestinenses desenterram cadáveres para pô-los nas ruínas e serem fotografados; que a culpa é dos palestinenses, por terem apoiado um grupo terrorista; ou porque os palestinenses usam refugiados inocentes como escudos humanos.

O massacre de Sabra e Chatila foi cometido pela Falange Libanesa aliada à direita israelense; os soldados israelenses assistiram a tudo por 48 horas, sem nada fazer para deter o morticínio; são conclusões de uma comissão de inquérito de Israel. Quando o exército de Israel foi responsabilizado, o governo de Menachem Begin acusou o mundo de preconceito contra Israel. Depois que o exército de Israel atacou com mísseis a base da ONU em Qana, em 1996, os israelenses disseram que a base servia de esconderijo para o Hizbóllah. Mentira.

Os mais de 1.000 mortos de 2006 – uma guerra deflagrada porque o Hizbóllah capturou dois soldados israelenses na fronteira – não foram crimes do Hizbóllah; foram crimes de Israel.

Israel insinuou que os corpos das crianças assassinadas num segundo massacre em Qana teriam sido desenterrados e expostos para fotografias. Mentira.

Sobre o massacre de Marwahin, nenhuma explicação. As pessoas receberam ordens, de um grupo de soldados israelenses, para evacuar as casas. Obedeceram. Em seguida, foram assassinadas por matadores israelenses. Os refugiados reuniram os filhos e puseram-se à volta dos caminhões nos quais viajavam, para que os pilotos dos helicópteros vissem quem eram, que estavam desarmados. O helicóptero varreu-os a tiros, de curta distância. Houve dois sobreviventes, que se salvaram porque fingiram estar mortos. Israel não tentou nenhuma explicação.

12 anos depois, outro helicóptero israelense atacou uma ambulância que conduzia civis de uma vila próxima – outra vez, soldados israelenses ordenaram que saíssem da ambulância – e assassinaram três crianças e duas mulheres. Israel alegou que a ambulância conduzia um ferido do Hizbóllah. Mentira.

Cobri, como jornalista, todas essas atrocidades, investiguei-as uma a uma, entrevistei sobreviventes. Muitos jornalistas sabem o que eu sei. Nosso destino foi, é claro, o mais grave dos estigmas: fomos acusados de anti-semitismo.

Por tudo isso, escrevo aqui, sem medo de errar: agora recomeçarão as mais escandalosas mentiras. Primeiro, virá a mentira do "culpem o Hamás" – como se o Hamás já não fosse culpado dos próprios crimes! Depois, talvez requentem a mentira dos cadáveres desenterrados para fotografias. E com certeza haverá a mentira do "homem do Hamás na escola da ONU". E com absoluta certeza virá também a mentira do anti-semitismo. Os líderes ocidentais cacarejarão, lembrando ao mundo que o Hamás rompeu o cessar-fogo. É mentira.

O cessar-fogo foi rompido por Israel, primeiro dia 4/11; quando bombardeou e matou seis palestinenses em Gaza e, depois, outra vez, dia 17/11, quando outra vez bombardeou e matou mais quatro palestinenses.

Sim, os israelenses merecem segurança. 20 israelenses mortos nos arredores de Gaza é número escandaloso. Mas 600 palestinenses mortos em uma semana, além dos milhares assassinados desde 1948 – quando a chacina de Deir Yassin ajudou a mandar para o espaço os habitantes autóctones dessa parte do mundo que viria a chamar-se Israel – é outro assunto e é outra escala.

Dessa vez, temos de pensar não nos banhos de sangue normais no Oriente Médio. Dessa vez é preciso pensar em massacres na escala das guerras dos Bálcãs, dos anos 90. Ah, sim.

Quando os árabes enlouquecerem de fúria e virmos crescer seu ódio incendiário, cego, contra o Ocidente, sempre poderemos dizer que "não é conosco". Sempre haverá quem pergunte "Por que nos odeiam tanto?" Que, pelo menos, ninguém minta que não sabe por quê.

"Todos os homens estão presos numa teia inescapável de mutualidade; entrelaçados num único tecido do destino. O que quer que afete a um diretamente, afeta a todos indiretamente.
Não posso nunca ser o que deveria ser até que você seja o que deveria ser e você não pode nunca ser o que deveria ser até que eu seja o que devo ser".

Martin Luther King

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Simple like that!

"A lista de crimes de guerra de Israel é longa. Se esse é o "mundo livre" cujos valores são defendidos por Israel, então não queremos fazer parte dele."
Khaled Meshal, líder do Hamas exilado na Síria

Essa semana acho que consolidei minhas posições sobre a situação do povo palestino. Não acredito mais em dois estados vivendo em pé de igualdade, lado a lado. Israel nunca quis isso, e assim como o Hamas tem em sua carta de fundação que o Estado deve ser destruído, Israel foi fundado como um estado racista que é, no qual não seriam aceitos cidadãos que não fossem do "povo escolhido". Por isso eles vêm, sistematicamente, praticando o genocídio do povo palestino, assassinando sua cultura, suas crianças e suas mulheres, construindo suas colônias e assentamentos sobre os escombros das vilas palestinas. O fato é que os 300 mil colonos na Cisjordânia e os 200 mil em Jerusalém Oriental, todos criminosos, fatiaram o que restou das terras palestinas num enorme queijo suiço no qual os buracos são rodeados de muros e check-points, que impedem a dignidade e o trânsito dos moradores dos guetos. A política do fato consumado de Israel, que não conseguiu acabar com todos os árabes no ano de sua fundação, vai inflingir uma dura lição aos sionistas. Em pouco tempo, terão que aceitar um estado com dois povos, vivendo lado a lado em condições de igualdade, como sempre deveria ter sido. O terrorismo de estado Israelense, que usa bombas de fragmentação e urânio empobrecido sobre uma população boicotada, sem remédio e alimento, um dia irá cessar. Um dia os hipócritas que governam o mundo terão que dar um basta nisso. Mas a resistência palestina é infindável, apoiada em valores morais, não em armas. Davi contra Golias. E Davi vai vencer...

Parabéns à Venezuela, por mandar voltar seu embaixador de Tel-Aviv, e por expulsar o representante do sionismo racista das suas terras. Parabéns Marco Aurélio, por declarar nada mais que a verdade, e deixar bem claro que o que pratica Israel não é auto-defesa, é terrorismo de Estado. Um dia, como lição, terão que dividir o poder com os "fundamentalistas" (como deve ser chamado alguém que acha que tem o direito de construir sua casa sobre a ruína da casa do próximo por estar em sua "terra prometida"???) do Hamas, ou de qualquer grupo que represente o povo palestino. Essa é sua sina, Israel....

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

O gueto de Gaza...


Trecho do artigo do professor Joseph Massad (íntegra: http://electronicintifada.net/v2/article10110.shtml)...


..."O levante dos judeus do Gueto de Varsóvia é muito lembrado pelos palestinenses. No auge da OLP como símbolo da luta de libertação dos palestinenses, a organização depôs coroas de flores no monumento ao Gueto de Varsóvia para homenagear e honrar aqueles heróis judeus.

Szmul Zygielbojm era líder do partido socialista judeu, o Bund, na Polônia e lutou na resistência contra a invasão nazista em 1939. Foi feito refém pelos nazistas, depois foi solto e tornado membro do Conselho Judeu, o judenrat, equivalente à Autoridade Colaboracionista Palestina reinventada hoje pelos israelenses, e encarregado de construir um gueto de judeus em Varsóvia. Zygielbojm resistiu à ordem dos nazistas e fugiu para a Bélgica, depois para a França, os EUA e, em 1942, chegou a Londres, onde uniu-se ao governo polonês no exílio. Dia 12 de maio de 1943, depois de saber que a resistência no Gueto de Varsóvia fora finalmente esmagada com muitos combatentes mortos, Zygielbojm abriu o gás do fogão de seu apartamento em Londres e matou-se em protesto contra a indiferença e a inação do aliados ante o sofrimento dos judeus na Europa ocupada pelos nazistas. Sentiu que não teria o direito de viver mais que seus camaradas assassinados na luta de resistência contra os nazistas.

Na carta que deixou, Zygielbojm escreveu que os nazistas são os assassinos dos judeus poloneses, tanto quanto os Aliados, assassinos, também, por inação e por omissão:

"Notícias que nos chegam da Polônia deixam claro, além de qualquer dúvida, que os alemães estão assassinando os últimos sobreviventes judeus com, com crueldade desmedida. Por trás dos muros do gueto representa-se hoje o último ato dessa tragédia.

A responsabilidade pelo crime de assassinato dos judeus poloneses é, em primeiro lugar, dos que os matam diretamente. Indiretamente, são todos culpados, toda a humanidade, todas as nações aliadas e seus governos que, até o fim, nada fizeram para impedir que esse crime se consumasse. Por assistirem passivamente ao assassinato de milhões de crianças, de homens e de mulheres indefesos, todos são cúmplices dos assassinos.

Já não posso continuar em silêncio – portanto não posso continuar vivo – enquanto prossegue aquela carnificina. Meus amigos do Gueto de Varsóvia estão caindo de armas em punho, lutando sua última batalha. Não posso estar lá, com eles, mas sou um deles e reinvindico a mesma vala comum.

Que a minha morte manifeste o mais radical protesto conta a inação do mundo que assiste e deixa que prossiga o massacre dos judeus."

A Autoridade Colaboracionista Palestina que comanda o judenrat inventado em Oslo jamais sequer tentou resistir às ordens que recebe de Israel. Nenhum dos atuais chefes renunciou ou, no mínimo, recusou-se a servir, servil. Máhmude Abbas, que tantos serviços desonrosos presta ao governo israelense, não conhece os valores de integridade e nobreza que inspiraram a luta de resistência de Zygielbojm.

Enquanto isso, os palestinenses resistem à invasão pelo exército de Israel como podem, contra inimigo astronomicamente mais forte. Os palestinenses, como, antes deles, Zygielbojm, sabem perfeitamente que Abbas, sua claque, as ditaduras árabes, os EUA e a Europa são criminosos, autores do massacre, tanto quanto o governo de Israel. Zygielbojm acusou toda a humanidade, todas as grandes potências, de inação e indiferença. No massacre da Palestina, o mundo e as potências regionais são co-conspiradores e parceiros ativos no crime.

Esmagar o Levante do Gueto de Gaza e massacrar uma população indefesa será trabalho relativamente fácil para a gigantesca máquina de matar que é Israel e para os seus políticos sádicos. Muito mais difícil será o dia seguinte, quando os palestinenses voltarão muito mais determinados a resistir e será muito mais difícil a luta, para Israel e as ditaduras árabes aliadas.

Enquanto milhares de palestinenses mortos e feridos são vítimas hoje da guerra terrorista que lhes move Israel, os reais derrotados são Abbas e sua gang de colaboracionistas. O teste radical, para a resistência palestina, é prosseguir, É continuar a negar a Israel o direito de conquistar, de ocupar, de roubar terras, de destruir o futuro dos jovens, de aprisioná-los em guetos e de matá-los de fome sem encontrar resistência.

Ao longo de quase um século, a Palestina tem resistido às atrocidades cometidas pelos sionistas israelenses, sempre empenhados em tentar apagar a Palestina da face da terra. Embora os sionistas sempre tenham procurado e recrutado colaboracionistas, desde o início, na esperança de esmagar a resistência na Palestina, ainda não conseguiram conter a resistência. Lição que os sionistas podem aprender hoje é que não são capazes de extinguir a resistência na Palestina, por mais bárbaros que sejam os massacres e as chacinas. O Levante do Gueto de Gaza será o último capítulo da luta contra o colonialismo no mundo. E marcará o fim da selvageria colonialista de Israel. Depois, então, nunca mais haverá no mundo qualquer ocupação colonial européia."

Joseph Massad é Professor Associado de Política Árabe Moderna
e História Intelectual Árabe Moderna da Columbia University, em New York.


Refuseniks...

Isso é o que Israel faz com as cabeças pensantes daqueles país....Os jovens que se negam a servir o exército da ocupação e do terror vão em cana!

www.December18th.org

Check it out and sign it down!

sábado, 3 de janeiro de 2009

Segue o Holocausto...

Até quando Israel? Até quando vocês vão utilizar o argumento do sofrimento passado para perpetrar o terrorismo de Estado contra o povo Palestino? Quando vocês vão resolver aceitar as lideranças eleitas pelos palestinenses e sentar à mesa de negociação com reais intenções de chegar a um consenso diferente de um território palestino esburacado em guetos e sem acesso à água, ao mar e ao céu? Quando serão respeitadas as resoluções da O.N.U., e aceitos os direitos dos refugiados? Quando as crianças, que compõem metade da população de Gaza, poderão ter acesso aos remédios e alimentos parados nas fronteiras que vocês controlam? Quando Universidades e hospitais deixarão de ser alvo de guerra? Quando serão respeitadas as fronteiras de 67? Quando o ódio dos assentamentos ilegais, com colonos tão fundamentalistas quanto qualquer islâmico da Al Qaeda, deixará de ser semeado em solo palestino? Quando vocês abrirão mão de ter um Estado que escolhe o tratamento dado aos seus cidadãos de acordo com a religião que professam? Quando assassinatos sumários deixarão de ser conduzidos? Quando vocês irão parar de ceifar a vida de crianças e mulheres palestinas (a morte deles por vocês já se tornou rotineira)? Até quando vocês se considerarão vítimas eternas, mesmo tendo, há muito, se tornado algozes cruéis e irracionais?

O desempenho dos líderes ocidentais é ridículo. Mesmo sabendo dos ataques ao Líbano em 2006 e do planejamento por meses do atual massacre em Gaza, nada fizeram e nada fazem. Nem uma mísera reunião do Conselho de Segurança. Deve ser por causa dos "rojões de treze" palestinos....

Democracia interessa quando ganha quem tem que ganhar...quando os que ganham não são servos do sistema corrompido, tais governos têm que ser destituídos e boicotados...
Para alguns jornais, o Hamas tomou o governo na faixa de Gaza à força depois de uma guerra com o Fatah. Eleições democráticas? Nunca houve....

Israel, essa semana vocês garantiram mais uma geração de palestinos prontos a te odiar e dar a vida para te exterminar. Seus homicídos e sua crueldade, semelhante a dos nazistas covardes e preconceituosos, seguem alimentando o ódio irracional. Para a solução que vocês buscam, a única resposta é o extermínio de todo o povo Palestino. Caso vocês não estejam dispostos a carregar essa difícil tarefa até o fim (talvez então a U.E. e os E.U.A. te condenem), é hora de sentar à mesa de negociação, não como um adolescente revoltoso que não pode ver alguém com idéias diferentes das suas, mas com a grandeza de um sábio senhor que aprendeu como não agir com o próximo através das injustiças que sofreu durante a vida...
Com um detalhe, a escolha das lideranças cabe ao povo que elas representam, ou caberia ao Hamas escolher os representantes de Israel??

Terroristas, o Hamas? E vocês, o que são?

Justiça gera paz, já dizia o profeta Isaías...